quarta-feira, 4 de abril de 2012
O segredo do parque
Por Fábio Machado
Poesia dedicada a Valquíria Alves
O dia foi corrido... como sempre é!
Na beira da bela lagoa, em minha cidade natal de Patos de Minas, caminho pensativa prestes a tomar uma decisão importante.
Toca o telefone, fico ansiosa,
“Alô”, atendo rápido!
“Amanhã as 07h30 no consultório”
Desligo o telefone... mas na verdade queria me desligar do mundo...
O que será que eu tenho? Já sei a resposta.
Ela estava de branco... um olhar feroz
A médica me olhava.
“Valquíria Alves? Prazer tudo bem?”
“Bom dia”, respondi.
“Vejo que me escondes um segredo” – replicou
“Como assim... é a primeira vez que eu te vejo tudo é segredo para você”. Disse bravamente, pois era muito desaforo para o início do meu dia.
“Consigo ver sua alma”
Acho que enganei... isso aqui é terapia? Deixa eu te falar algo bem sério... eu...
“Você está com apaixonite!”, disse a médica.
Eu? Olha que brincadeira é essa? Eu não admito...
“Você ama muito, é muito amor”.
Só me faltava essa – explodi – Eram sete horas da manhã!
“O amor consome sua vida desde pequena”
Astróloga? Isso é um teatro? Sabia que posso te denunciar? Retruquei.
“E o fato de amar, de ter sensibilidade, de conseguir esconder uma menina meiga atrás de um olhar sério trouxe muitas consequências em sua vida”.
Rá rá rá... quer falar o número da Mega Sena agora? Da Loto? Eu não sei qual é a sua..
Isso já passou do limite eu vou...
“Fanciulla si ma il mio cuore resta con voi” (Donzela, você vai, mas meu coração fica contigo)
Nesse momento, houve um pânico. Era meu segredo.
“O coração dele está contigo, Valquíria, mesmo que ele esteja longe de ti”
Apenas lágrimas.
“Mas contigo está o coração! Lembre da tarde no parque....”
Sim! Lembro todos os dias da minha vida. Cinco da tarde, o sol se despedia.
Seus olhos azuis... ele me disse que seria eterno... e não foi o que aconteceu!
Lágrimas apenas lágrimas.
Passa-se o tempo... minutos, horas, não sei bem ao certo...
Aceito um lenço, enxugo as lágrimas. Levanto a cabeça e pergunto:
“De onde conheces meu amor? Quem é você?”
“As histórias de amor foram feitas para um final feliz.
Seu amor ainda te espera, te aguarda. Muitas coisas aconteceram no parque”
Meu olhar fica longe... revivo as cenas... silêncio.
“Na vida nem sempre conseguimos ouvir o coração. Muitas vozes ecoam dentro de nós: alegria, tristeza, sonhos, medos, angústias, coragem, mas dentro de nós existe a melodia do amor”.
Apenas escuto.
“Naquela tarde, dentro do bolso do casaco tinha um resultado de exame, seu amor estava com câncer. O médico o condenou a menos de um mês de vida. Fatal, cruel. Com os dias contados, decidiu afastar-se de ti, para que você guardasse em sua memória somente cenas lindas de amor”.
Não acredito!
“Me chamo Maria e sou médica, minha especialidade é o coração.
Estava no parque aquele dia. Após abandonar-te ele saiu correndo aos prantos e pouco depois sofreu uma crise. Caiu perto de mim, chamei uma ambulância, e fui com ele ao hospital, onde ele iniciou um tratamento intenso. Ele foi para UTI e quase morreu. A primeira palavra que disse ao sair do coma foi seu nome”
Silêncio.
“Procurei por ti, pois os dias estavam contados, mas algo aconteceu. Numa noite, um som de violão saía da capela... uma música linda, que falava do amor de Deus o tocou. Ele experimentou algo, seu olhar mudou, tudo se transformou, foi como se tivesse renascido. Não compreendi nada, mas para ele, uma força brotou do interior, e segurando em meus braços disse: Eu quero viver. Maria, eu quero viver! E quero amar!”
Lágrimas.
“Sua melhora foi surpreendente, exames diagnosticaram um milagre, ele ficou curado!”
Nesse momento senti minha face arder, meu coração disparou e senti um perfume.
Fanciulla si ma il mio cuore resta con voi
“Seja feliz, você merece, Valquíria”.
Assinar:
Postagens (Atom)
